A partir do meu ateliê: Lineth Márquez

Lineth Márquez é uma pintora que conseguiu expor suas obras em Nova York, graças a Artelista. Hoje ela é a protagonista da seção “a partir de meu ateliê”.

1. Quando e por que você começou a pintar?

Desde menina me sentia atraída pela pintura, as cores me envolviam, para pintar até utilizava a maquiagem de minha mãe, quando já havia gastado os meus lápis de cor, a criatividade sempre esteve presente em minha vida, ainda que tenha estudado Marketing e Publicidade na universidade, carreiras que considero ligadas a arte porque da mesma forma em que uma obra nos detêm para refletir o que transmite, com a publicidade necessitamos criar para transmitir e nos fazermos entender com nossas mensagens.

O grande momento veio no final de minha carreira universitária, realizei um intercâmbio cultural com a Universidade Europeia de Madrid, uma vez na Europa me dediquei a percorrer os museus, foi amor à primeira vista ver as obras de Velázquez  e Goya no Museo do Prado, as obras de Sorolla em sua casa museu, na Holanda, as obras de Van Gogh, recentemente no Metropolitam museu de Nova Iorque, as obras de Picasso e todos os mestres da Arte, sem esquecer na América, as nítidas obras de Botero na Colômbia e a grande sorte de ser convidada a visitar uma coleção privada de Guayasamín, pertencente a algumas pessoas honradas, agora também amigos.

Visitando museus, me sinto como uma menina em uma loja de brinquedos emocionada e feliz, frente a uma obra posso perder a noção do tempo, me ponho na pele do artista, que as pintou e tento decifrar o que ele pensava para criá-las.

2.Que momento do dia você prefere para pintar? Quanto tempo se dedica a pintura?

Não tenho um momento específico do dia, em qualquer momento posso recorrer aos meus pincéis, quando estou alegre, quando estou triste, quando algo ou alguém me inspira, mas atualmente devido a que estou organizando minhas exposições nacionais e internacionais em princípios de 2013, estou completamente imersa todo o dia, sem horário, absorvida o dia inteiro por minha paixão por pintura.Entretanto minhas melhores pinceladas, as tenho dado de madrugada, existem pessoas cotovias “madrugadoras” e corujas “notívagas”, eu me considero uma pessoa coruja, começo a criar com uma corrente insustentável de energia, a partir do anoitecer e até o amanhecer, depois de ver a lua ocultar-se e os primeiros raios intensos de sol aparecerem, então durmo algumas horinhas para depois continuar.

3.De todos os quadros que você pintou, qual é o seu favorito? Por quê?

Meus quadros para mim são os filhos que não tenho, porque a cada um deles os pari com sentimentos, insônias, carinho, alegrias , tristezas os tenho criado com muito amor e finalmente me dão muitas compensações, me fazem sentir satisfeita.A todos, eu quero da mesma forma, entretanto, há um que eu tenho um carinho especial por ser o “primeiro”, meu primogênito, o qual despertou a minha paixão pelo nativo de meu país, que me tem dado tantas satisfações, seu título é “Esplendor pré-colombiano indígena”, a partir desta obra, comecei a pintar motivos nativos panamenhos, mas todos são meus favoritos, os quero da mesma maneira!.

4.Se pudesse reencarnar em um mestre da arte, quem gostaria de ser?

A vida é tão bela, que não quero ter que morrer para reencarnar em algum deles, se pudesse escolher, preferiria que continuando nesta vida, me acompanhasse um pouquinho das virtudes de cada um deles, quero ter um pouquinho da paixão de Goya, as delicadas pinceladas de Velásquez, a nitidez de Botero, a persistência de Van Gogh, a força de Sorolla, a crueza do Frida, orgulho indígena de Guayasamín e não poderia terminar...todos os mestres da arte me inspiram! Quero um pouquinho de todos em mim, mas o mais importante,” sem deixar de ser eu”.

5.Qual ou quais são as suas fontes de inspiração?

Tudo me inspira, dizem que de artistas, poetas e louco, todos temos um pouco, eu gosto de criar poemas e faço parte de uma rede de escritores, alguns poemas me inspiram obras, algumas obras, me inspiram poemas, mas além disso o amanhecer, a lua, em todo o seu esplendor, o nativo de meu país. Eu tenho uma atração especial por olhares, porque concordo que refletem a alma, penso que “O silêncio pode atar as nossas palavras, mas nada nem ninguém pode atar a nossa alma, quando se reflete, em nosso olhar”, portanto eu gosto de pintar olhares expressivos de indígenas, camponeses, também danças e folclore, tudo o que há de minhas raízes, amo todo aquele que grite Panamá, sou consciente de que todo o artista evolui, e talvez em algum momento encontre outras fontes de inspiração, mas agora desfruto este momento.

6. De todos os movimentos artísticos, qual é o que exerce maior influência em sua obra?

Como eu digo com orgulho, que sou uma mistura de raças,produto da afluência de diversas culturas a Panamá, minhas obras são uma mescla de tudo, porque considero, que na vida combinar nos refresca, oferece e enriquece, é como somar e não subtrair, ainda que possa trocar de um momento ao outro de técnicas e tendências, mas sempre prevalece em mim o Impressionismo “a impressão” = capturar a realidade, eu gostaria de fazer especificamente nos rostos e olhares, quero que sejam claramente definidas, quisera levá-las ao ponto do hiperrealismo quase fotográfico,ainda que o resto vá indefinido e quase desaparecendo na tela, mas vou tentar lembrar sempre os olhares, rostos, expressões de minhas telas.

Por outro lado, o Expressionismo eu gosto , pelo manejo da luz, por permitir-me expressar intuitivamente sem censurar nada do que flui de meu ser, com cores contrastantes quase violentas, pois eu gosto de cor e vida em minhas telas, especificamente o vermelho, cor de sangue e o verde cor da natureza, a ambos, os considero o elixir da vida , as cores da criação.

7. O que significa a arte para você? Que papel ela tem em sua vida?

A arte para mim significa Expressão, nos permite transmitir o que sentimos, entender o que outros sentem ou sentiram, diariamente está presente em minha vida, tudo o que vejo, o que toco, o que escuto, me transmite algo, que se converte em um ensinamento, uma poesia, que me inspira a criar, a pintar, tudo o que relaciono com a arte, me permite ser como sou e transmitir o que sinto e na vida mesmo todos os fias temos o desafio de nos fazermos entender.

A arte me tem dado muitas compensações, me tem levado a cruzar fronteiras, conhecer pessoas interessantes,e tem dado um nome, em meu país,e agora também fora, me permite ser eu e colocar as minhas idéias, em uma tela, me impulsiona a construir meus sonho, me dá um motivo cada dia.

Penso que a vida é como uma tela, com nossas ações de cada dia, adicionamos pinceladas a nossa grande obra, de você depende suas cores, seus contrastes, seus brilhos e sombras, no final, cada um será responsável de sua própria criação, assim que “Procura adicionar cor a tela de suas vida.”

8. Este ano você teve a oportunidade de expor suas obras, na mostra nova-iorquina, Eclecticism.O que pode contar-nos desta experiência?

Antes de mais nada, quero agradecer a Artelista, a oportunidade, que nos dá a todos os que aqui apresentam suas obras, de que sejam descobertas e apreciadas. No meu caso, tinha há dois anos, colocado minhas obras, quando de repente um dia me contataram, para participar na exposição Eclecticism em Nova Iorque.Artelista nos dá a todos a mesma oportunidade, porque aparentemente os curadores ou avaliadores de arte dão seguimento as obras de Artelista , eles estiveram vendo as minhas obras, eu até pensei que era uma piada de mau gosto quando entrei em contato porque eu não conhecia ninguém no mundo competitivo da arte nos Estados Unidos, menos ainda em Nova Iorque, não podia acreditar! Mas depois de uma telefones e troca de emails, pude confirmar que era certo, me senti nervosa,mas muito emocionada, dentre de mim, sempre estarei agradecida , porque Artelista, o fez possível.

A experiência foi inesquecível a notícia saltou aos meios de comunicação e a partir desse momento me nomearam  “A artista que reflete o nativo panamenho”, comecei a sentir-me como uma artista! Levei com orgulho minhas raízes estampadas em minhas telas a Nova York, especificamente a Soho, o bairro artístico mundialmente reconhecido de Manhattam, expliquei com as minhas obras o motivo das pinturas corporais indígenas, o folclore, nossas roupas de vestir, as vasilhas pré-colombianas, me senti por um momento como Embaixadora de meu país, no exterior, representando a minha cultura, foi a minha primeira exposição e além disso internacional” Em Nova Iorque! Um lugar alucinante, tão contrastante como minhas telas, onde percorri ruas, e desfrutei da arte em seu máximo esplendor, desde os museus até a arte de rua ,todos me enriqueceram e me inspiraram.

Graças a Deus , também a Artelista, a universidade de Arte Ganexa de Panamá, onde recebi minhas primeiras aulas, e realizei minhas primeiras pinceladas, a meu professor o artista plástico panamenho Blas Petit, a todos os meus familiares, amigos e seguidores, que me impulsionaram, graças também a Galeria Ward Nasse, as curadoras, Leda Prado e Gigi Gafoglio, que sem conhecer-me ao descobrir minhas obras, neste portal de Artelista, viram o potencial para fazer parte dessa grande experiência, graças a todos, as portas seguem-se abrindo para novas exposições nacionais e internacionais.