Panamá é hoje uma potência global no segmento MICE

Panamá chegou ao posto 6 do Ranking Américas do International Congress e Convention Association ICCA, entidade que destaca a celebração de 60 congressos e convenções na capital panamenha e que lhe permite escalar dez posições em relação ao ano de 2012, quando ocupou a 36° posição. Sobre este tema CND Panamá conversou com o vice-ministro da Autoridade de Turismo de Panamá, Ernesto Orillac.

A autoridade explicou que a estratégia do segmento MICE no Panamá é uma estratégia completa, não só desde a Autoridade de Turismo, mas também que nasceu de uma iniciativa de todo o setor, em colaboração com o DMO. ”Pela primeira vez conseguimos que fluísse a informação, tanto do setor privado, o setor público, como do público ao privado”, pontualizou Orillac.

Isto, segundo a autoridade, influiu para que se conseguisse o que hoje temos e a entrada a um mercado, que Panamá não tinha, como é o mercado norte americano e europeu. Panamá havia estado trabalhando o mercado e reuniões a nível da América Latina, praticamente regional, mas não havia entrado realmente no mercado mais competitivo, que é Canadá e Estados Unidos e junto o México. Graças a este se trabalhou muito forte em uma série de requerimentos e necessidades, que portanto tinham que garantir .É por isso, que se tem que falar da reengenharia, a certificação, o entretenimento e o profissionalismo, que se teve que levar para converter um jogador local, ou regional a um jogador global.

Isso diz muito, pela primeira vez na história, Panamá ganhou sedes competindo com países ou cidades com um magnífico posicionamento neste mercado. Por exemplo, ganhar a sede do congresso de Pediatria, que terá lugar em 2019, Panamá competiu com Milão e Marrocos e Panamá ganhou. Hoje podemos competir com qualquer cidade do mundo. Panamá chegou com panamenhos 100% para formar uma equipe muito profissional, para poder estar nos níveis de qualquer bureau DMO a nível mundial, Las Vegas, Sidney ou Milão.

Agora há que seguir trabalhando nessa plataforma e nessa estrutura, que se definiu. É uma indústria que requer uma capacitação constante. Se isso não for feito podemos arriscar, pois há outros DMO, que estão também tratando de chegar a estes níveis, pois é um segmento de turismo, que todos os países querem desenvolver, porque é o de maior receita, é que mais rápido se pode dar a volta à economia no Turismo. Quase diria que o segmento MICE é uma indústria aparte, dentro do setor do Turismo.

CND. Que tempo leva formando o Bureau DMO de Panamá? 

ERNESTO ORILLAC. Quando começamos este trabalho no ano de 2011 nos dedicamos a determinar como se ia estruturar e estabelecer. Em 2012 começamos a criar o plano e se tomou a decisão de eliminar o Bureau de Convenções, que não funcionava a nível privado e criar um escritório do DMO, que funciona neste momento como parte da Autoridade de Turismo.

Agora falta tirar o DMO da Autoridade de Turismo, do governo, e torná-lo uma entidade completamente privada , com fundos públicos, que pode trabalhar como na época o Bureau deveria ter trabalhado. NÃO significa que o Bureau não foi bem sucedido pelo trabalho realizado, foi morrendo pouco a pouco por uma necessidade de fundos e uma reengenharia, que não tinham. Hão haviam estabelecido realmente quais eram as necessidades, que deviam ter e tampouco as prioridades.

De outro lado, a capacitação pública-privada foi fundamental em poder fazer crescer a confiança de todo o setor privado. Toda a informação flui o que não ocorria antes, pois havia um certo receio. A gente acreditou tanto no projeto, que acabou o medo de transmitir a informação, e isto é totalmente importante e a chave para o sucesso. Se os fornecedores não se sentem confiantes para trocar informação , o sistema não funciona.

Nossas metas eram muito pontuais no tempo. Nunca pensamos realmente, que íamos crescer tão rápido. Posso dizer a você , com muita humildade e com muito orgulho, que hoje em dia Panamá e o segmento de convenções tem se convertido em uma potência a nível da região e a nível global.

Para continuar esse crescimento é importante que em um curto período de tempo, o DMO deixe a parte pública e se converta em uma entidade independente. O setor privado está muito certo disso e eu creio que é onde queremos chegar.

CND. Ainda que o DMO faça parte da ATP, não pode ser um dos fatores, que influenciou os fornecedores a ganharem confiança para transmitir a informação necessária .

Que perigo pode existir se passa a ser uma entidade independente?

EO. Sem dúvida que a forma em que a administração da ATP tem estado em curso nos últimos anos, ainda falando de administrações anteriores, obviamente te dá um grau de confiança, pois uma entidade público, que se manipula de uma forma completamente independente a nível de não ter uma preferência de um sobre o outro. Mas eu acredito, que muito mais do que isso, até mesmo para removê-lo dos altos e baixos da política, no momento que o torne independente, e da forma que está estruturado hoje em dia, vão ter muito mais confiança, porque vão ter apoio público, no sentido que vão ter os fundos e provavelmente o apoio de uma diretiva de jogadores, que estão no setor público, da ATP sem dúvida, mas terá a flexibilidade para não se tornar politizado, e não me refiro agora, me refiro a dentro de 5,10 ou 20 anos. Ao final uma entidade como esta, que é uma entidade muito profissional, e de muita inovação, no momento de ter certos requisitos e certas estruturas públicas que são mais burocráticas, a gestão se faz muito complicada, às vezes, porque a administração pública não tem a flexibilidade, que tem a entidade privada, ainda que os fundos sejam fiscalizados pela controladoria.

Os líderes dos grêmios e da indústria serão parte integral do projeto, junto aos diretores pela parte pública, mas a ideia é a que parte privada seja a maioria, e que seja a que leva isto adiante.

Antes não havia essa confiança do todo. Agora a estrutura anterior mudou. Há que manter um conselho diretivo forte, representativo e que busque os interesses do país por cima do interesse de qualquer empresa privada.

CND. Que fatores, além do profissionalismo com o que se tem levado o DMO, tem sido uma influência forte, na qual Panamá tem crescido de maneira tão rápida, no setor MICE.

EO.É um trabalho de reengenharia completa. Há fatores externos, que obviamente são partes do destino. Um deles é a conectividade, é fundamental para poder desenvolver um setor como este, por isso foi um de nossos enfoques principais. O outro é a infraestrutura. Panamá de 2006 a 2008, não tinha a capacidade para levar adiante eventos de um tamanho, que hoje se pode fazer. A praça hoteleira tem crescido de 7000 quartos a 16 000 quartos e 30 000 a nível nacional.

Este crescimento em capacidade hoteleira trouxe novas infraestruturas, que tem que ver com os serviços, que se tem gerado e que também tem crescido como são os serviços de transporte, de catering , de equipes audiovisuais e de sedes.

Outro fator determinante são os centros de convenções. Panamá hoje em dia tem vários centros de convenções em hotéis com muito bom tamanho e sem dúvida ATLAPA, que ainda funciona como centro de convenções e tem muito potencial. A este se soma o novo centro de convenções em Amador, para o qual já há eventos programados. Precisamente, o ter esta estrutura planejada e já em construção foi o que nos permitiu avançar e fazer este trabalho de uma forma rápida, muito focada, responsável e organizada.

Daí nasceu tudo e hoje em dia está ajudando muitíssimo a ocupação hoteleira da cidade. Este segmento é o que mantém ocupados os quartos desses grandes hotéis da cidade. Ao final os benefícios destes eventos não são só para o hotel, é a cidade, é a parte comercial , a gastronômica, os artesanatos, as compras, é um todo.

CND. Em que fase da construção está o novo centro de convenções?

EO. Está a cerca de 27 ou 28%.Se calcula, que se deve estar terminado para meados do ano de 2015 ou finais. Calculo que ele fica há um ano ou um ano e meio de construção. A conectividade local também será muito importante.

A entrada do metrô, a cinta costeira e a nova parte da cinta costeira, a conectividade desde o aeroporto até o novo Centro de Convenções diretamente com Cinta Costeira 3 para a conexão com Paseo Amador, para levá-lo a quatro vias, é fundamental para a entrada e saída das pessoas. Calcula o movimento de 5 000 a 6 000 pessoas, sem ter que ter um tráfico através de uma autopista.

É um plano mestre completo, que se definiu e se estudou e que no futuro se tem que manter e seguir crescendo. Essa reengenharia não é só parte da estruturação do que hoje em dia é o DMO, mas é parte das bases fundamentais das estruturas, que no Panamá estava desenvolvendo e então se criou desde todos os ângulos e sempre tivemos uma instituição, que passava a informação as que tinham a responsabilidade de levar adiante estes projetos e que por sua magnitude, sempre beneficiam o segmento do turismo e em especial o segmento MICE.

CND. Como está funcionado o DMO para o interior do país?

EO.Faltam uma série de coisas muito importantes dentro da conectividade e a estrutura para poder desenvolver o interior como se desenvolve a cidade, mas não significa que não exista. Vai ser outro tipo de mercado.

Tenho muita fé que se possa levar adiante, os aeroportos te vão dar essa plataforma de poder levar as reuniões e congressos do segmento MICE, por exemplo, até as praias do Pacífico, porque têm uma quantidade de quartos suficientes para dar-lhe o apoio, com a entrada de RIU, o Decamerón, Praia Branca, o Sheraton e todos os demais hotéis, que se aproximam de 3 000 quartos aproximadamente. O mesmo acontece com Chiriquí e outros lugares.

Tudo o que se traz para a cidade também leva riquezas até o interior do país. Fazem-se pré e pós tours, as pessoas querem saber e então se promove o interior do país e a economia.

CND. Que projetos há quanto à conectividade aérea local? Agora só está Air Panamá e as passagens às vezes são muito caras, considerando a extensão, que cobrem.

EO. Oxalá pudesse ter outra linha aérea, que entrasse, porque sempre a competição é boa .Há um projeto interessante, que deve ser visto pela próxima administração, que eu creio que pode beneficiar muitíssimo o país e o interior. Eu sou muito positivo, de que nos próximos anos este mercado se abrirá cada vez mais.

Panamá é um mercado relativamente pequeno e portanto não é tão atraente como outros mercados a nível de população. Estamos falando de uma população de 3 milhões e meio de pessoas, comparadas com populações de países vizinhos de 42 e 30 milhões de habitantes. Então se há empresas, que já tem postos seus olhos aqui, e com o que tem crescido e vá seguir crescendo o turismo vai fazer um aumento de empresas de todo o tipo e também algumas, que estarão fazendo voos internos porque já estão criadas as infraestruturas, que dão a possibilidade de que aviões, maiores possam chegar a estes aeroportos, que se tem arranjado, David, Río Hato, Howard, Colón que permite o desenvolvimento da costa atlântica com a construção de todas as estradas.

Há três hotéis que vêm na área do Caribe. Está o Decamerón, o Kempinski cadeia hoteleira alemã, na área da Guaira, frente a Ilha Grande e há outro que estará na área de Santa Isabel, onde se está construíndo o Decamerón. Tudo, eu vejo bem sempre, e quando se mantém um plano muito focado sobre o que você deseja alcançar e como pretendemos alcançar.

Fonte: Caribbean News